segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

As grandes questões da sociedade contemporânea

A minha experiência em transportes públicos, até há uns meses atrás, resumia-se apenas aos autocarros da Carris (e, vá, uma viagem ou outra dos Andrinos até Leiria) e ao metro. Desde que fui trabalhar para a Matinha, iniciei-me nas lides dos comboios, no discurso brilhantemente gravado a duas vozes: "Atenção senhores passageiros, o comboio suburbano procedente de Castanheira do Ribatejo com destino a (outra voz) MIRA-SINTRA MELEÇAS (!) vai entrar na linha número...3! E depois vem o senhor: "Na entrada para os comboios atenção à distância entre as portas e a plataforma". Afinal é um discurso a três vozes! Enfim, todo um mundo de novas possibilidades à minha frente!

E já há algum tempo que, todos os dias ao fim da tarde, quando regresso de mais um dia de trabalho, observo exactamente o mesmo cenário! Só mudam as personagens, mas a história é igual todos os dias! Casalinhos em grandes cenas de romance e paixão louca na plataforma de acesso aos comboios de Entre-Campos! Mas afinal, O QUE É QUE SE PASSA COM AQUELE SÍTIO??? É que não é só um abracinho e uma beijoca de despedida, como seria normal. São horas de amassos, são as mãos nos rabos uns dos outros, os corpos colados encostados às escadas rolantes e não é só um casal de vez em quando... são muitos, todos os dias!!! E não são só os adolescentes com as hormonas histéricas, também há gente de fato completo e gravata naquelas figuras! O QUE É QUE SE PASSA? Será que aquele sítio tem altos níveis de sensualidade e erotismo escondidos, só perceptíveis aos seres que passam por ali de mão dada a outra pessoa? MEDO!!! Muito medo! E não, eu não estou com inveja, nem isto é discurso de miúda ressabiada! Aquelas figuras são totalmente deprimentes! Só dá mesmo vontade de lhes dar uma mangueirada de água fria e gritar: "Get a room!!!". Se alguém me conseguir explicar este fenómeno da plataforma de acesso aos comboios, eu fico eternamente agradecida!

A outra grande questão contemporânea é: PORQUE É QUE AS PESSOAS NÃO ENTENDEM QUE UM LEITOR DE MP3 TEM PHONES PARA SE OUVIR MÚSICA EM PRIVADO? Se quiséssemos a música partilhada por aí, andávamos com os rádios às costas a bombar os hits para toda a gente ouvir. Poupem-me! E não estou só a falar daquele gajo que vai cinco filas de bancos à minha frente e mesmo assim eu consigo ouvir perfeitamente a música que ele está a ouvir... estou a falar daquela malta que vai na rua a cantar as músicas que estão a ouvir nos phones, como se estivessem no chuveiro! E depois encaram as pessoas mesmo de frente, como se fossem umas estrelas da canção e fosse a coisa mais normal do mundo andar na rua a cantar alto e bom som!
Ou eu sou uma cócó (uma betinha como alguém gosta de me chamar...), ou esta gente está mesmo a ficar toda maluca! Partilhem as vossas questões comigo! Preciso de apoio!

E esta dor de cabeça que não passa há três dias... acho que preciso de fazer um upgrade à minha graduação...

4 comentários:

Clara disse...

Eu proponho criar um movimento anti-volume no máximo! De facto, aquela malta usa os fones como os rappers usavam os "tijolos" no início dos 90. É que, além da falta de respeito, faz-lhes mal à saúde. Aos ouvidos e à imagem, que se torna muito ridícula. Ai, os inseguros, os inseguros...

>> nim disse...

os transportes públicos são, de longe, a melhor fonte de posts da blogosfera.

um grande bem-haja aos transportes públicos, e àqueles que os frequentam.

beijinhos!

c.s disse...

Obrigada!

lilith * disse...

eu cá acho que todos devíamos cantar como se as ruas de lisboa se tratassem de um chuveiro!! :) não pára de chover e, afinal, os cenários nos transportes públicos são invariavelmente cinzentos... e monótonos.
que a clave de sol ilumine muitos sorrisos ;) baci*