segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Hoje recebi uma carta

Lembram-se?

Um papel, uma caneta. Palavras verdadeiras escritas a tinta por uma mão verdadeira. E quase se adivinham os pensamentos, os sentimentos, as hesitações, naquele traço de um 't' que não saiu direito, naquela perna do 'a' desproporcionada, naquele 'r' diferente do 'r' da linha anterior.

Lá há nuvens, a cidade é cinzenta, a língua não soa a música, diz a carta. Lá não se pode ser romântico, o romantismo não está no ar, diz a carta. E, no entanto, não me lembro de nada tão romântico como escrever uma carta, escrever nela novidades, sentimentos e um poema, à mão, fechar o envelope, colar-lhe um selo daqueles que levam para longe, escrever a morada de nomes estranhos e esperar pela resposta.

Esta mão que escreveu pertence ao primeiro holandês romântico, que nisso se tornou por ter sido invadido irremediavelmente pelo mais português dos sentimentos. Não é amor.

É saudade. E eu gostava de ter escrito esta palavra aqui à mão, com letra inclinada, torta, desproporcional e com borrões de tinta em volta.

2 comentários:

ulrich disse...

que sorte...

Major Louro disse...

Bolas...

Hoje apetecia-me aparvalhar e escrever um comentário com laivos de deboche. E chego aqui e deparo-me com este post.

Não se emociona um Jadir.
Não se faz...

(Estado: Sorriso estúpido na cara)