sábado, 21 de novembro de 2009

D. Nuno, o Bravo


Coragem é deixar o país, ir para o outro lado do mundo, em direcção ao desconhecido. Fazer isso tudo de olhos húmidos e aperto no peito ao dizer adeus aos três filhos pequenos não é coragem. É amor.
O meu primo Nuno, número dois da contagem, pai (de uma prenda da vida e duas surpresas da vida), marido, amigo, defensor até à última consequência dos irmãos e dos primos, o monárquico mais engraçado que existe, foi hoje para Moçambique. Um cargo de responsabilidade bem remunerado é muito apelativo, mas não foi essa a razão da sua partida. Foi antes por saber que essa remuneração é necessária para que os filhos cresçam com o conforto todo que lhes quer dar - e isso não encontrou aqui.
Coragem é agarrar as oportunidades quando elas surgem. Receber de peito aberto a amargura que trazem consigo é amor.

Não te preocupes. Aproveita para conheceres o cheiro de África, absorve tudo o que essa terra (que parece não querer descolar-se da nossa família) tem para te oferecer. Trabalha, diverte-te, conhece, cresce. Não te preocupes. A tua S., o teu J., os teus pequeninos A. e M. vão ter saudades tuas, mas não conhecerão um minuto de solidão. Vamos mimá-los até à exaustão.
E não te aflijas. Os teus filhos nunca te sentirão ausente: sabem que estás longe mas sempre com eles, sempre por eles. Vão crescer e orgulhar-se do pai aventureiro que foi buscar uma vida boa para eles ao avesso do globo. E vão dizer-te muitas vezes "quando nos levas lá, pai"?

Sentiremos a tua falta, no Natal principalmente. Estará lá o teu lugar, o teu espaço, mas não vazio: antes o teremos cheio do orgulho que sentimos por ti, pela tua coragem e pelo teu amor.

Nem adeus nem até breve. Não saíste daqui.