segunda-feira, 17 de março de 2008

A reviravolta

O meu silêncio tem uma razão.
Estes últimos tempos foram uma confusão total na minha vida! Um dia ia assinar o meu primeiro contrato de trabalho e tinha a garantia do ordenado certinho a cair todos os meses na minha conta. As férias de verão e as viagens à Alemanha e a Amesterdão todas planeadas. E no dia seguinte, o desemprego à espreita. É assim a vida de quem trabalha em produtoras de televisão. Pior, é assim a vida de quem trabalha a recibos verdes. Venho-me embora no final do mês com absolutamente NADA! Nem indemnização, nem subsídio de férias, nem subsídio de Natal. Nada! E quem sai comigo traz essas regalias todas. É muito injusto. Mas enfim, esta reviravolta teve o efeito de uma grande chapada na minha cara. Daquelas que parecem gritar "Acorda!!!". Em que é que eu andava a pensar para estar acomodada num sítio onde só me mandam fazer vídeos para o site da vodafone e reportagens sobre electricistas e pessoas que não têm absolutamente nada para dizer?!? Eu sonho mais alto e enquanto não encontrar um sítio onde me sinta mais realizada, não posso simplesmente cruzar os braços e deixar-me levar todos os dias pelo comboio, de lancheira na mão.

Os dias têm sido assim: uma correria entre deixar tudo pronto antes de me vir embora e enviar currículos, responder a anúncios e procurar cunhas! Como eu mudei... Arranjem-me uma boa cunha para um magazine cultural, por favor!!!

Claro que não consigo deixar de pensar que vou ter outro ano sem férias de verão, sem ir ao Andanças e ao Sudoeste. Não consigo deixar de fazer mil planos, de ter mil ideias sobre aquilo que queria que fosse o meu emprego novo. Mas qual emprego novo??? Até agora ainda só fui a uma entrevista e era para um estágio mal remunerado... acho que não consigo voltar a sujeitar-me a essas condições.

Entretanto, tinha tantas coisas para escrever aqui... mas neste momento, não consigo deixar de pensar que faltam duas semanas. E o pior é que eu acredito que amanhã alguém me vai telefonar a oferecer um desafio à maneira. Porque é que eu sou assim? Maldito optimismo que só me traz desilusões.

8 comentários:

Alx disse...

miúda o optimismo é sempre bom: em último caso é um óptimo soporífero de algumas dores. é o "podia ser pior", mas ao contrário, "... há-de ser melhor".

por isso, olha, também não tenho cunhas para te oferecer, até eu gostava de as ter: moral da história, vamos beber um copo com quem não nos falha, penso, os amigos!

tá (já tava) combinado!!!

Jota p\ extenso disse...

grande post, mesmo.

fazes bem, dá a volta por cima, dá o teu murro na mesa e procura o que queres. não vai ser perfeito, mas se te deixar mais satisfeita então valeu a pena.

à falta de melhor, tens a minha solidariedade. vale o que vale.

Clara disse...

A vida vai mudar para nós. E só pode mudar para melhor. Quando quiseres apanhar "aquele" autocarro que te vai levar lá (ao melhor), passa por aqui e leva-me sim? Basta dares um toque e eu desço.

ela adormecida * disse...

minha linda, a vida vai sorrir-te. e vais voltar a ter o coração cheio de vontade de abraçar todas as pessoas e todos os lugares. lembra-te de não te esqueceres de ser optimista.

e eu e a clara cantamos em coro só para ti:

"Please don't censor your tears
(...)
Worry not about the cars that go by
'Cause all that matters Rita Gema is your freedom
So keep warm my dear, keep dry"

love u*

Anónimo disse...

E ela pensa nas razões do silêncio, nos recibos verdes e na injustiça da vida, nos electricistas e nas 'moscas editoras', no comboio e na lancheira que leva na mão...
Tudo isto é efémero. O optimismo não.
As coisas vão melhorar, tenho a certeza. Porquê? Talvez seja o teu optimismo...

P.S.: Já falta pouco para os teus sonhos! Beijo =)

Mani

catá disse...

Minha amora,

Se não houvesse a incerteza, não havia o reconforto da surpresa boa. Se não houvesse um caminho mais sombrio, ninguém via a luz nítida da chegada.Se não houvesse realidade dura, os sonhos não eram tão doces. E se não sonhássemos a realidade era mais dura ou indiferente, porque não havia concretização.

Portanto, isto é tudo um plano do destino para transpirarmos um bocadinho, antes de sermos felizes! Malandro!
Às vezes demora, mas está mais perto de acontecer se nos encaminharmos para lá.

Ok, és jornalista e trabalhas numa produtora de tv portuguesa... Provavelmente havia caminhos mais curtos e menos acidentados...

Mas tu já estás em marcha, acreditas que vais ganhar e, se por momentos duvidares, nós gritamos por ti, damos o empurrãozinho a aplaudimos bem alto quando cortares cada fita que tiveres para cortar!*

P.S.: Um dia, havemos de ser nós a ter o telefone!;)

Carlinha disse...

querida Rita, que dizer mais? eu gosto de teu optimismo, admiro-o e queria tanto senti-lo também todos os dias. a vida tem destas coisas, destas rasteiras tontas, em que tudo parece certo e definido e de hoje para amanhã, zás, já era. acontece contigo, acontece com a nossa geração inteira, lá fora com os braços no ar a gritar por uma oportunidade apenas. e tu vais tê-la, eu sei que sim!! porque vales mais do que qualquer anúncio de telemóvel, do que qualquer eléctrico que passa. um beijo enorme da alemanha fria, em dias de Páscoa, que mais não são do que uma renovação, um reacender de velas... e aí tens o que precisas.

Carlita* disse...

Sei que nem sempre temos as palavras certas e devidas para estes momentos... mas há uma música que não me sai da acebça depois de ler o teu post... espero que te dê alento, porque para mim faz todo o sentido!

"Podes achar que não tens
P'ra onde ir, nem que fazer
Não sabes bem quem és aqui
Neste mundo tão grande e frio
Mas há qualquer coisa em ti
Que te faz querer, querer ser alguém,
Querer ser alguém...

E a Vida não vai parar,
Vai como vento,
Tens tudo a dar
Não percas tempo
Podes saber que vais chegar
Onde Deus te levar

Mas pode ser tão difícil,
de acreditar Em Deus assim
Será que Ele se vai lembrar...
de me ajudar Será que sim?
Mas há qualquer coisa em mim
Que me faz querer: acreditar
Acreditar!"
* * *