sábado, 31 de janeiro de 2009

Sábado de sol


Hoje é dia de limpezas cá em casa. E como eu adoro andar com o pano do pó ao som desta música. Quem quiser aparecer para dar uma mãozinha, em troca ofereço chá quente e chocolates.

"Ohhhhhhh baby give me one more chaaaaaaaaaaaaance"

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Ora aqui está uma excelente pergunta:

"ohh marta mas o que é que tu tens que, dps de uma grande aproximação, os homens fogem todos?"

by Gema

Hipérbole


Sou uma criança grande. Ok. 1,65m e 50kg não é grande, de facto. MAS o que interessa é o que está no BI e as ancas à portuguesa. Portanto, sou grande. Uma grande criança.

Sou mimada (i've been told) e detesto, d-e-t-e-s-t-o ser contrariada. Sou capaz de actos da maior generosidade e do maior egoísmo. Digo e faço imensas coisas sem pensar. Conservo, no entanto, alguma da sensatez e da sabedoria infantis, cujo valor positivo é bastante discutível.

Apesar de conseguir ser extremamente irritante, deleito-me com dias de sol, flores, risos e coisas coloridas. E deleito-me com coisas destas. Cheguei há pouco da Planeta Tangerina, onde fui amavelmente (mas sem sorrisos desnecessários) recebida pela Isabel Minhós, adulta responsável e educada e criança sonhadora de olhar franco. Ofereceu-me um exemplar de cada um dos maravilhosos livros que editaram e a Agenda 2009, cujo tema é a hipérbole e tem escrito na capa "o mundo é que exagera".

Pois, eu também sou da hipérbole. Vejo sempre as coisas maiores do que elas são, mais importantes do que elas são, piores ou melhores do que elas realmente são. Como o pescador que pescou um deeeeeeeeeste tamanho. Como a mãe que olha para a minúscula nódoa na gola e diz que "estás todo sujo". Como a criança que abre a goela e grita e chora porque caiu (embora nem tenha ficado um arranhão).

É assim mesmo que sou: uma criança. Isso causa-me problemas? Sou chata? Tenho menos amigos? Não... "o mundo é que exagera".

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

E você? Qual delas é?













«Ele [J. M. Barrie, autor de Peter Pan] criou três figuras principais femininas, a senhora Darling, Wendy e a fada Sininho que representam respectivamente a mulher, a menina e a essência feminina. A primeira tem a experiência e oscila entre os deveres de mãe e os prazeres de mulher, a segunda é a figura maternal e idealizada de irmã e possível esposa, leal, hábil e sensata - que está a despertar para a sexualidade, de tal forma que se sente atraída pelo terrível Capitão Gancho (quem não se sentiria?) e faz jogos de sedução com Peter - e a terceira é a fada caprichosa com poderes mágicos, pequenina e maldosa, bonita e amoral a que o cauteloso Barrie removeu toda a alusão sexual, embora ela esteja bem presente nesta espécie de menina-mulher fatal.»

in «A Infância é um Território Desconhecido», Helena Vasconcelos

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Nunca mais te ouvi


De vez em quando, as pessoas deixam de falar umas às outras. Neste século XXI informatizado, em que o virtual às vezes parece mais real que o real, "deixar de falar" implica não atender telefonemas, não responder às SMS, não responder aos e-mails, não responder nos chats, não fazer mais comentários nos blogs, além do clássico passar para o outro lado da estrada. A sociedade de abundância tem disto: as maneiras de ignorarmos uma pessoa qualquer multiplicam-se.

Tal como os meios, também as razões podem ser mais que muitas. Há o amigo que não vemos há tantos anos, que já nem faz sentido falar. Ou aquele que foi viver para o outro lado do mundo e não era assim tão amigo que valha o esforço. Ou aquele que casou e teve 5 filhos e quer lá saber das conversinhas insipientes de solteirões. Ou o pobre que ficou mudo e sem mãos num catastrófico acidente rodoviário.

Pode também ser uma coisa mais abrupta; uma decisão tomada conscientemente, de forma mais ou menos pensada, de forma mais ou menos agressiva. Aí complica. Podem ser duas pessoas que não querem mais contactar uma com a outra. Há ainda o grupo de amigos que se divide em dois, e, com espírito de gang, entram numa guerra passive-agressive e trocam apenas olhares matadores entre si.

Depois... há o caso de duas pessoas em que apenas uma deixa de falar com a outra. Como sempre, em casos de conflito de vontades, "o que não quer" ganha "ao que quer". É difícil fazer alguém falar connosco contra a sua vontade. Excluindo a hipótese (muito legítima) da tortura, é praticamente impossível. Não podemos pegar nas suas mãos e fazê-la escrever um e-mail ou pressionar as cordas vocais até sair um cumprimento que seja. Podemos apenas: 1. resignarmo-nos ou 2. insistir, fazer figura de tolo e, por fim, resignarmo-nos.

Podia contar umas histórias, mas o espaço e o tempo não são apropriados. Sim, apesar da minha personalidade inegavelmente fascinante e da minha inebriante beleza física, há pessoas que deixam de me falar. E não só uma. Foram e são várias. E eu, com carapaça de deusa, mas interior fatalmente humano, também insisto, também faço figura de tola e também acabo por me resignar.

A questão "será que algum dia recuperarei este amigo?" fica no ar e, por vezes, não tem resposta. Novos amigos surgem, sim. Novas conversas, novos risos, novos amores nos ocupam tempo e mente. Mas, na verdade, cada um tem o seu lugar próprio. E há vazios que ficam sempre por preencher.

MIL

JêLê, como diz a Francisca.

Jota Éle, como dizem quase todos.

Jornal de Letras, como dizem alguns.

Jornal de Letras Artes e Ideias, como não diz ninguém.

Já são MIL! E, como diz o José Luís Peixoto (curiosa coincidência de iniciais), mil é bué!

Aqui.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009


O mar e a música complementavam-se de forma surpreendentemente perfeita, tendo em conta que não sabiam da existência um do outro. Na linha de Cascais, no Inverno, o mar bate com força nas rochas, salta e desfaz-se no ar numa chuva de espuma. Nos meus ouvidos ia Between my legs do Rufus Wainwright. A música, pop-rock que se transforma numa quase ópera grandiosa, seguia ao ritmo do mar: a onda que se formava com o crescer dos saxofones, a água que se lançava contra as rochas quando batiam os pratos - parecia um espectáculo ensaiado e devidamente patrocinado pelo dinheiro esquivo do sr. Isaltino. Quase a chegar ao fim, a voz grave e penetrante de uma actriz polaca, se não me falha a memória:

There's a river running underground, underneath the town towards the sea
That only I know all about
On which from this city we can flee

Vamos para esse lugar. De comboio, de avião, de rio, de olhos fechados. Esse lugar onde há dinheiro. Esse lugar onde há uma casa nossa. Esse lugar onde se divide as contas, a MEO, a playstation. Esse lugar onde há amor. Esse lugar onde nos encostam à parede e nos deixam doces dores no corpo no dia seguinte - com amor. Esse lugar onde é sempre Verão.

Alguém tem um GPS?

Sem deixar rasto

Passei por uma montra esta noite e lá estavam eles. Uns ténis iguais aos dele. Nunca tinha visto uns iguais senão nos seus pés. E, enquanto segurava o guarda-chuva numa mão e um sundae de caramelo na outra, parei a olhar para aquela montra, para aqueles ténis e todas as lembranças saltaram de repente do lugar onde têm estado guardadas em sossego.

Olho para eles e lembram-me a calma de Castro Daire, as ruas calcetadas de Viseu, os fins-de-semana em Vila Real e uma viagem ao Porto. Foram aqueles ténis que pisaram o acelerador por minutos e quilómetros sem conta para encontrarem por fim descanso ao lado dos meus. E nós dormíamos e eles dormiam. Tantas noites no meu 103 e num 200, que já não me lembro se seria 4, ou 6, ou 8…
Tantos dias, que agora contados foram na verdade tão poucos. Ele com aqueles ténis calçados e eu quase descalça, fomos felizes juntos. E dançávamos, dançávamos, dançávamos.

Uma vez vimos numa revista que tinha aberto uma loja nova no Bairro Alto e fizemos planos de a conhecermos juntos e talvez arranjar uns rivais àqueles seus ténis. “Quando estivermos lá em baixo...”, dizíamos. Mas não chegámos juntos. Hoje já não me lembro de todos os traços da cara dele, é difícil recordar a sua voz, esqueci-me do som da gargalhada. Lembro-me dos beijos e dos nossos corpos encostados em danças perfeitas. Lembro-me de uma noite de medo em que chamou por mim e lembro-me do olhar quando eu cheguei. É bom quando nos sentimos o balão de oxigénio de alguém, foi bom sentir aquele olhar. Se ao menos tivesse durado um bocadinho mais...

O que vivemos ficou ali, preso naqueles sítios e irremediavelmente amarrado àquele tempo. E, no dia em que encontrei um par de ténis igual, não consegui deixar de pensar nos outros pregados ao passeio, enquanto as rodas do meu carro aceleravam, fazendo muita força para não olhar para trás.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

palavras de outro, pensamentos meus


" - Acredita que a música tem o poder de mudar as pessoas? Que uma pessoa pode ouvir uma certa e determinada peça de música e conhecer uma grande mudança dentro de si?

Oshima acenou afirmativamente.

- Claro que sim. Passamos por uma experiência, que funciona como uma espécie de reacção química, capaz de transformar algo que temos dentro de nós. Quando, mais tarde, reflectimos sobre isso, descobrimos que todos os padrões por que nos regemos se alargam mais um furo e que o mundo se abriu diante de nós de forma inesperada. Sim, já passei por isso. Não tantas vezes como isso, mas já me aconteceu. É como estar apaixonado.

(...)

- É caso para dizer que é uma coisa muito importante, certo? Quer dizer, para as nossas vidas?

- De facto, assim é - respondeu Oshima. - Sem essas experiências que nos transportam ao limite a nossa vida seria bem mais monótona e desinteressante. Berlioz colocou a questão desta maneira: «Uma vida sem se ter lido o Hamlet é como a vida passada numa mina de carvão.»

- Uma mina de carvão?

- É um exemplo acabado das hipérboles em voga no século XIX.

- Bem, muito obrigado pelo café - disse Hoshino. - Ainda bem que tivemos esta conversa. "


in Kafka à beira-mar, Haruki Murakami

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Encontro

A primeira carruagem do metro.
Casacos.
Chapéus de chuva.
Um I-pod com o Rufus a tocar.
Uma voz familiar.
Uma mala preta cheia de papéis.
Dois cds desconhecidos.
Um par de ténis cinzentos.
Meia dúzia de palavras.
E um cachecol amarelo.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Hoje,

recebi a seguinte mensagem da Gema:

"O mundo é um bidé."

E acreditem, o mundo é mesmo um bidé.



Post dedicado ao trio maravilha.

Prenda

Maria Teresa Horta escreveu. Ela Adormecida ofereceu.

Uma prova de amor, aqui.

Uma noite chuvosa...

...pode tornar-se muito confortável quando se juntam três amigas a comer sushi, a saber da vida umas das outras, a rir e a fazer planos para o futuro.
Pode tornar-se muito quentinha quando a elas se juntam um grande amigo e um amigo grande (que não víamos há muito tempo), com gelado, chocolate quente, batido de morango e waffles de chocolate.
E pode ficar imortalizada com frases que saem tão inocentes, mas que nos fazem rir quase até cair no chão. Para que fique registado:

- "Eu acho que ele se sente mais confortável com uma feiosa."

- "As vacas da Praça de Espanha não são dos Açores. São da Moita."

- "O que me consola é tu não namorares também." (esta foi porca!!!)


É tão bom uma amizade assim, ai sabe tão bem saber com quem contar :)

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

As mulheres do nosso Portugal

Palmas para mim, que sou muito linda! O ano começou e a minha actividade física também: comecei a ir à piscina, dois a três dias por semana, logo pela manhã para ficar mole o resto do dia. E o post que se segue é totalmente inspirado na minha primeira incursão aos balneários da piscina municipal de Campo de Ourique.

Eu não sou menina de ficar a olhar para as outras senhoras, enquanto elas tomam a sua banhoca, ou tentam despir o fato-de-banho, muito justo, agarrado ao corpo. Mas a verdade é que não podia tentar disfarçar e fingir que não via o que desfilou mesmo à frente dos meus olhos tão sensíveis.
Os homens portugueses têm razão para andar descontentes. Ah isso é que têm! O que é que se passa com a depilação "íntima" destas mulheres? Está certo que não precisamos de andar sempre perfeitas, mas... tufos de pelos??? Eu achava que todas as senhoras, pelo menos, aparavam os excessos. Mas não minha gente, não havia uma única senhora cuidada naquele espaço. E depois queixam-se que os homens não lhes ligam nenhuma em casa e que as trocam por miúdas de 20 anos. É que nós, ao menos, podemos não ter ninguém a quem mostrar, mas andamos minimamente arranjadas. SEMPRE!

Mulheres de Portugal (especialmente as que frequentam a piscina de Campo de Ourique), por favor! Não custa nada ter uma tesoura à mão e pedir à vossa esteticista para ser um bocadinho mais aventureira na próxima depilação. É um favor que fazem a vocês próprias, aos vossos namorados e maridos e, principalmente, A MIM.

Momentos assinaláveis II, III e IV

II. Finalmente, está no ar o blog mais ansiado do mundo internético: http://oblogdosnake.blogspot.com/. Não nos desiludiste, Snake!


III. Tremam, intelectuais, puritanos e cínicos! Parece que Sex and the City - the Movie terá sequela. E agora? Mr Big vai pedir o divórcio? Mr Big vai trocar Carrie por uma miúda de 20? Carrie fica grávida de gémeos? Incógnitas. A única coisa que se sabe é que aparecerá uma prima ou sobrinha de Carrie, a quem as quatro amigas (já muito ladies) vão dar a conhecer NY. Fala-se em Britney Spears ou Myley Cyrus para o papel. Não estão histéricos de entusiasmo?? Cuidado! Não caiam dos saltos altos. (Ok. Até eu, fã sem vergonha da série, já começo a achar que isto é demais. Não me mostrem o Big corcunda nem a Carrie com as mamas até aos joelhos, por favor.)


IV. Às vezes é preciso que nos afaguem o ego. Pronto, no meu caso não é bem às vezes, é mais quase sempre. Telefonou uma escritora e poeta de voz baixinha a agradecer muitas vezes o meu trabalho, "pequenino, mas muito respeitador das minhas palavras e das palavras do livro. Está muito bem feito. É assim que trabalham os profissionais." Afinal, parece que, não o sendo, já o sou.

Momento assinalável

E, no dia 20 de Janeiro do presente ano, o Ovo recebeu o redondinho número de 69 visitas.

Que bonito.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Caem pedras na janela

chove e está frio. É dia de ouvir música e ler poesia. Juntemos os dois e o que dá? Chico Buarque. Não sei dizer qual é a minha canção favorita, por isso tive de inventar um critério para escolher esta. As insónias que tenho tido, por exemplo.




O que será que me dá
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota à flor da pele, será que me dá
E que me sobe às faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz implorar
O que não tem medida, nem nunca terá
O que não tem remédio, nem nunca terá
O que não tem receita

O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os ungüentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite

O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os tremores me vêm agitar
Que todos os suores me vêm encharcar
Que todos os meus nervos estão a rogar
Que todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz suplicar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Virtual flirt sucks


"Um dia faço 300 kms para estar contigo."
Balelas!

Buried alive in the blues

Morreu aos 27, obviamente. De overdose, obviamente. Mas ainda teve tempo de fazer o fabuloso Pearl. As suas últimas gravações foram Mercedes Benz e uma prenda de aniversário para John Lennon. Se fosse viva, faria hoje 66 anos.

Ladies and gentlemen, Miss Janis Joplin.


domingo, 18 de janeiro de 2009

Do lado de lá da mesa. Já dentro do coração.

Abraça-me várias vezes.

Pergunta sempre como estou e ouve a resposta com atenção.

Disse-me "saímos sem ninguém notar e vamos ao cinema".

Pegou num papel com a imagem da capa de um livro, chamou o meu nome, rasgou a folha em quatro, com as mãos bem altas para que eu visse, e deitou os restos no lixo, com agressiva delicadeza e um "pronto!".

Aí confirmei aquilo que já sabia: fiz uma amiga.