segunda-feira, 9 de março de 2009

A pequenez dos pequeninos

O meu santo paizinho deixa-me no emprego muitas vezes (hey, hey, nada de gozos. De transportes, demoro uma hora e meia; de carro, são 20 minutos. E ele trabalha perto.). Hoje, deu-me boleia mais uma vez. Para quem não sabe, à entrada da Edimpresa, exactamente depois de passar o portão, há uma pequena rotunda (ou não estivéssemos em Oeiras). Aí parado, estava um BMW de onde saía lentamente um senhor de cabelo cinzento. O meu pai, também no seu BMW (e maior que o outro) ia parar precisamente atrás desse carro, no sítio onde sempre me deixa, a meia volta da rotunda, para poder retroceder. Nesse momento, o senhor segurança, um Securitas daqueles que fica à porta a ver futebol numa tv pequenina, subitamente competente, abana o dedinho em direcção ao meu pai, primeiro a fazer o sinal de "não" e depois de "tem de ir dar a voltinha naquele lado". Eu e o querido papá não percebemos. Pois se ali era a pequena rotunda onde fica o portão de saída, porque raio haveríamos de ir para uma estrada cheia de carros que não tem saída? O senhor Securitas aproxima-se então e diz: "Por aqui não pode." Pergunta o meu pai, que não é homem de obedecer a qualquer um só porque tem farda: "Porquê?" E vai o outro:

- Porque está ali o Doutor Balsemão.

Ficam, portanto, a saber que, quando o Doutor Balsemão está a sair do seu carro, ninguém pode cumprir as regras de trânsito e dar convenientemente a volta a rotunda. Se fosse nos Estados Unidos, aquele senhor segurança teria ido ter com o Doutor Balsemão e diria: "peço imensa desculpa, sir, mas não pode ter aí o carro parado". Essa é a diferença.
O mais enervante é que o Doutor Balsemão (Doc para os amigos) não deve ralar-se minimamente que o meu pai pare o carro atrás do dele, para deixar sair a filhota que lhe faz jornais por 300 euros mal amanhados. O senhor segurança, lambedor de botas nas horas vagas, ali ficou, de peito muito inchado, ignorando que o Doc nem sequer reparou que tinha as botas mais brilhantes, orgulhoso do seu trabalho bem feito. Chamam-lhe o poder pequenino. Um dos grandes bocados de bolor do nosso país.

6 comentários:

ulrich disse...

heranças do fascismo é o que é basta reparar no modo submisso como os seguranças em todo o lado dizem "bom dia sôtor como está"

Ela adormecida disse...

Que coño el tío de la seguridad! Ejejeje (me gusta mucho rir en español) :P

E ainda queriam aqueles tipos do nosso workshups fazer instalações nas rotundas de Oeiras, que coisa mai' linda! Isto há com cada uma que até parecem 6253!

Johnny disse...

O que mais enerva é que o 'lambe-botismo' do guarda deve ser mais recompensado do que os teus jornais!

Provocador disse...

Citando o nosso muito estimado e ex-professor de Direito (este sim, ex de antigo e ex de excelência): "porque vivemos num país de fascistas!!!".


Fascistas!
Fascizões!
Cavaquistas!
Cavaquistões!

Catá disse...

O Segurança é meio cigano! Morte ao Segurança! PUM!

Doc?! Tio Francisco, para os filhos dos amigos do golfe, e Tio Chico para os amigos pobrezinhos!

Ex-Jadir, remeteste-me ao desprezo! Vai lá ser meu amigo para eu saber o que andas a fazer!

num relance disse...

esperemos que o teu pai, independentemente do tamanho do BMW, tenha marimbado calma, silenciosa e solenemente para o segurança porque a rotunda não é nem do segurança, nem da empresa nem do Balsemão, nem o segurança, privado, manda no lado público da rotunda, e pqp para o segurança, que tb pode ser traduzido por "para quê a preocupação" :-)