sábado, 29 de novembro de 2008

Alguém me explica?

Eu já percebi que há manifestações e greves que têm a ver com a avaliação, já percebi que os professores querem que a ministra se demita. Só ainda não percebi porquê.

Sem qualquer ironia ou crítica implícita (a qualquer uma das partes), alguém me explica afinal o que anda este ministério a fazer de tão tenebroso?

8 comentários:

Génio Louro disse...

Este ministério? Anda a trabalhar. E esse causa problemas a muita gente. Todos sabemos que os professores são distintos elementos da socieda
de e não ganham o que merecem. Sim, ninguém o nego. Mas se eu trabalho 8 horas por dia, porque é que os professores trabalham 3 ou 4? Sim, depois têm todo um trabalho de preparação para fazer. Mas um professor treinado não perde mais de umas horas a fazer isto. E se eu sou avaliado porque é que os professores não o deverão ser? Síndroma da função pública? Serão intocáveis? Bah!

David Trincão disse...

Mais uma vez, cai-se na resposta fácil e na analogia barata.

Achas mesmo que um professor "intocável" não faz mesmo mais nada durante o santo dia do que as suas "3 ou 4" horas de aulinhas? Pensa outra vez.

Preparação? Demora pouquíssimo. Elaboração de testes? Também. Correcção dos mesmos? Avaliação dos alunos? Burocracias afins?
Nada, isto não é nada...
Então e os professores colocados a 300 km das suas áreas de residência demoram tempo na viagem? Não mais de 5 minutos, tenho a certeza.
Vamos continuar a questionar tempos?

Não, não estou a ser neutro na abordagem deste assunto. Neutralidade é uma cor que não me fica muito bem. Já abordagem não é uma cor sequer, mas gosto na mesma.

"Se eu sou avaliado porque é que os professores não o deverão ser?
Síndroma da função pública?"
Posso responder e comentar esta afirmação? Não, não é síndroma da função pública. O que está aqui em causa é a síndroma do ressabiamento. E ainda a síndroma da ignorância do que verdadeiramente está por detrás da polémica...

É só doença por estas bandas... e a principal do ministério parece mesmo ser a estupidez crónica.
Alguém tem um antibiótico à mão?

Gema disse...

Contingências nos seus trabalhos toda a gente tem, David. Eu por exemplo, como muitas outras pessoas, tenho isenção de horário em todos os meus empregos, o que apenas me permite trabalhar 12 e 14 horas por dia, sem ninguém me pagar mais por isso. Mas eu já sabia que era assim quando escolhi o meu trabalho. Não ando agora em greves e manifestações semanais. Com o teu comentário não fiquei mais elucidada quanto às exigências e críticas dos professores. Pareceu-me continuar a ouvir as mesmas queixas e lamentações que ouço todos os dias na televisão. Insisto no pedido da Clara: o que é que vocês querem afinal? Nós aqui só queríamos entender.

Clara disse...

Continuo na minha. Não faço juízos de valor, porque ainda não tenho informação suficiente. Aqui estou com a Gema: continuo sem perceber exactamente o que este ministério está a fazer de tão errado e quais as soluções que os professores apresentam. Ainda ninguém conseguiu explicar-me ponto por ponto, factos, coisas concretas, sem insultos à ministra (que não são nada relevantes para compreender a situação). Para se pedir a demissão de um ministro, há que ter razões muitíssimo claras. Eu ainda estou na escuridão.

Manitas disse...

Confesso que sigo o tema de forma muito distanciada, por isso não tenho uma opinião formada. No entanto, o comportamento dos professores, mas sobretudo dos sindicatos, deixa-me algumas dúvidas:
- Protestavam com a burocracia do modelo. O Ministério simplificou e continuaram a protestar.
- Vi uma parte de um debate sobre as quotas de progressão na carreira em que um professor parecia estar tão mal informado que teve de engolir em seco quando foi desmentido. Assumiu o erro? Não, continuou a protestar sem saber bem contra o quê.
- Que raio de postura de negociações é a 'rendição' total e incondicional da outra parte sem que primeiro haja uma discussão?
- Por algumas declarações que ouvi do omnipresente líder da Fenprof, parece-me que eles só vão parar quando a ministra cair. Porque se agora é o modelo de avaliação, o próximo 'objectivo' já foi anunciado: o estatuto da carreira docente.

E isto não quer dizer que o Ministério e o actual modelo de avaliação me pareçam assim tão virtuosos e eficientes. Não o são. Mas creio que estão longe do monstro pintado pelos profs!

Espero que as duas partes não se esqueçam do mais importante: ensinar e acautelar o nosso futuro!

Senhor disse...

já foi explicado e mais do que explicado.
Basta ter lido um ou outro jornalito.

David Trincão disse...

Palavra do Senhor.
Amen!

Ah, e estou a adorar passar por professor! Gema, já ao meu gabinete, se faz favor.

Este tenho mesmo de comentar! disse...

Prometo que quando o fizer aviso!