A menina abriu o armário e tirou quatro ovos. Cozido? Estrelado? Mexido? Escalfado? Hoje vai comê-lo cru.
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Luz ao fundo de mim
Quando alguém te diz "escreves bem, de certeza" sem nunca ter lido nada teu, sabes que tens qualquer coisa em ti.
Pode não ser único, extraordinário, impressionante, mas assegura-te de que não és uma pessoa baça, lisa, vazia. Sabes que, num dia bom, debaixo da luz certa, brilhas.
Brilhas.
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Who the fuck is David Motta?
Ele chegou vestido de preto (um olhar mais atento apercebe-se de que a roupa é invulgar) e chinelos. Disse: "já venho maquilhado. Só preciso é de calçar os sapatos e de me arranjar". Sorriso aberto, um tom de voz educado - cumprimentou quem com ele se cruzou e não olhou ninguém de alto a baixo. Sentou-se no sofá da sala de produção, disse "o meu cabelo deve estar terrível", calçou uns sapatos de mulher, pretos e de vertiginoso salto agulha. Concentrado em si, calçou as burlescas luvas pretas rendadas e colocou, um por um, escolhidos, e bem a propósito, a dedo, vários anéis. Bastava olhar de relance - o brilho mostrava que não eram bijuteria plástica.
Eu chamar-lhe-ia mente fechada.
Perguntaram aos "burrinhos, fúteis, maricas" David, ao Filipe e à Coco: "como é que uma pessoa tem de se vestir para ir a uma festa vossa? por exemplo, a Dona Helena podia entrar?" [para quem não sabe, a Dona Helena é uma senhora da limpeza, já entradota, que anda de bata verde]. Ao que eles responderam: "porque não? o que nós defendemos é que cada pessoa vista o que quer, calce o que quer, seja como quer".
http://www.madsubculture.com/
http://escarradordedavidmotta.blogspot.com/
domingo, 23 de agosto de 2009
Let it die
...and get out of my mind
We don't see eye to eye
Or hear ear to ear
Don't you wish that we could forget that kiss ?
And see this for what it is
That we're not in love
The saddest part of a broken heart
Isn't the ending so much as the start
It was hard to tell just how I felt
To not recognize myself
I started to fade away
And after all it won't take long to fall in love
Now I know what I don't want
I learned that with you
The saddest part of a broken heart
Isn't the ending so much as the start
The tragedy starts from the very first spark
Losing your mind for the sake of your heart
The saddest part of a broken heart
Isn't the ending so much as the start
terça-feira, 18 de agosto de 2009
domingo, 9 de agosto de 2009
sábado, 1 de agosto de 2009
25 anos e 4 livros
Foi mais uma noite em que mal dormi. Mas daquela vez não me importei. Estava a começar o dia do meu aniversário e não era o cansaço que me impediria de festejar, com a família, os amigos, os novos e tão simpáticos colegas e comigo mesma, afinal quem faz anos sou eu. Andei zonza o dia todo, mas sorri sempre e disse obrigada a quem me beijava e abraçava. À noite, recebi todos em casa de braços abertos, risos e saltos altos.
2. "Eu, Mwanito, o afinador de silêncios"
Contudo, eu, Marta, não gosto especialmente de silêncios. Festa de anos é barulhenta, com barulho de conversar, de rir, de cantar, de chorar de bebé. É assim desde sempre. Gosto dos Parabéns cantados muito afinados, como só os Lopes sabem fazer, e das palmas e dos gritos, todos afinados numa melodia complexa, inesperada, de notas surpreendentes. Parece uma confusão a quem não está habituado, mas as minhas festas não são confusas: são exactamente no tom ideal.
3. "Era um abutre que me bicava os pés. Tinha já rasgado as botas e as meias e agora bicava os próprios pés."
Tentei ignorar que eram 25 anos e que a minha prima, quando o ano passado completou a mesma idade, ouviu da nossa querida prima Sara (que já leva mais um Lopes na barriga!!): "25! Foi com essa idade que casei!" A Sara prometeu que não me diria o mesmo e cumpriu. Mas, caramba, que é difícil não pensar que é um quarto de século e que não tenho nada que possa chamar meu (além da minha pequena biblioteca e da minha pequena discoteca, my precious). Casamento? Continua a ser um sonho longínquo, como há 10 anos atrás. Tentei ignorar e lembrar-me de todos os que, na noite anterior, no estúdio do 5 para a meia noite me disseram: "só 25? Quem me dera..." Mas o sacana do abutre do tempo a morder os pés, a bicar, a bicar.
E pensei inevitavelmente naqueles que não me deram os parabéns. Não sejamos hipócritas: todos fazemos uma lista mental de nomes que vamos riscando ao longo do dia. No fim, se tudo correr bem, ficam apenas dois ou três na folha inventada na cabeça. Mandamo-los para o sotão do cérebro, aquele sítio escuro e sujo onde entramos o mínimo possível. Mas sabemos que, entre más memórias, gente que passou veloz e teias de aranhas, eles estão lá: aquelas pessoas que gostávamos que se tivessem lembrado, mas não se lembraram. Nem no dia seguinte, nem passados dois dias.
No entanto, chegando ao fim, o que conta é só isto (e isto):
Saber que consegui juntar-nos a todos (apêndices incluídos. Só faltou o Berton!). Estes sorrisos que não estavam juntos na mesma fotografia há tantos meses. Estas carruagens (e as outras, as de sangue e amor, a querida e SEMPRE presente família), todas tão diferentes, mas que se ligam num comboio único.
4. "Esse comboio era um pedaço de vida no meio de toda a terra moribunda"
1. Man in the Dark, Paul Auster
2. Contos, Franz Kafka
3. Jesusalém, Mia Couto
4. O Velho Expresso da Patagónia, Paul Theroux
* Todos estes livros vieram parar-me às mãos em forma de presentes. Obrigada.
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Turn-offs
1. "Perde-se um bocado o interesse num homem quando se sabe que ele já se enrolou com meio mundo. Sentimo-nos só mais uma."
2. "Ele bem pode convidar-me, mas não vai ter sorte nenhuma. Dá muitos erros ortográficos no messenger."
Tirem notas, senhores.
domingo, 19 de julho de 2009
Wuthering Heights
(Tu. Saberás já que és tu na próxima frase. Um dias destes perguntaste-me se alguma vez iria escrever uma coisa boa sobre ti no blog. A resposta continua a mesma: não sei. É uma resposta frustrante, mas é a verdadeira. E a verdade é sempre melhor. Só sei que não será hoje que vou escrever uma coisa boa sobre ti.)
É uma história de um homem que cometeu um erro e de uma mulher fraca (sensível? romântica?). He had a temper like her jealousy: too hard, too greedy. Os sonhos avisaram-na que ela "was going to lose the fight".
Esta não é a minha história. É só a história que canta a Kate Bush. As insónias que me assaltaram na semana que passou não deixaram que sonhos nenhuns me avisassem de coisa alguma. Além disso, ela diz que corre para ele e eu, pelo contrário, quero (tenho de) correr para longe. Ela pede-lhe para entrar pela janela e eu recuso-me a isso: não me ficarei por menos de uma porta. Ela está "cold", eu tive hoje uma tarde quente de praia e ontem o casamento de uma amiga - os pés na areia e os sorrisos de orelha a orelha nas caras da Maria e do Francisco revitalizaram-me mais do que qualquer noite bem dormida.
Foi hoje, de olhos semi-cerrados à conta do sol, que comecei a ler um novo livro. Descobri recentemente que a Emily Brontë nasceu no mesmo dia e mesmo mês que eu. Como se aproxima rapidamente esse dia, sabia que O Monte dos Vendavais, que conta o amor de Cathy e Heathcliff, era a escolha óbvia para "próxima leitura". O nome original é Wuthering Heights.
Veremos como se desenrola esta história.
sábado, 11 de julho de 2009
terça-feira, 30 de junho de 2009
Já, Pina Bausch?
Café Müller foi a única coreografia sua que Pina Bausch interpretou.
A dança tem estado doente nestes dias. Pina Bausch tinha 68 anos e morreu hoje de manhã no hospital. A dança dela era "a interpretação da alma".
Mais aqui.
sexta-feira, 26 de junho de 2009
O rei não morreu
Ficará na música e nos vídeos. Ignore-se o ar inumano, próprio de um lunático. Verdade seja dita, esta dança também não pode ser humana. O meu lado artístico (musical, bailarino, performer) chora. Isto que se vê neste vídeo, este som, estes movimentos, são arte.
Estava com as minhas amigas bailarinas quando soube. Curioso como a vida às vezes parece pensada ao pormenor.
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Livre
Lembrava-me sempre de ti quando ouvia esta música. Tu, todo vestido de preto, eu, sempre de branco, mas entendíamos-nos, ou não nos entendíamos mas gostávamos disso, das perguntas e respostas, o desafio de tentarmos perceber-nos. E eu queria ser tua namorada, mas tu não querias ser meu namorado. Convidavas-me para tudo, tomávamos café, bebíamos cerveja, apresentaste-me a tua casa (mesmo perto da minha, que boa descoberta), o teu cão (um cão-de-água preto, lindo), conhecia a voz da tua mãe ao telefone e ela sabia o meu nome. E nunca quiseste ser meu namorado. Já querias proteger-me naquela altura? Fui eu que quis conhecer-te, lembras-te? Naquela escola de barracões de madeira e ambiente leve, leve, todos nós amigos. Gostava do teu ar soturno, do teu andar calmo, de como enrolavas os cigarros, do sorriso irónico que consegui arrancar algumas vezes à tua cara triste.
Eu gostava mais deste álbum, porque era mais melodioso. Tu preferias outro, não me lembro bem qual, o Eternity ou o Silent Enigma, mais pesado. Não sei. Os Anathema (única banda metal de que alguma vez gostei) uniam-nos. Uma vez deste-me uma fotografia (ainda lá está, numa caixa de metal)e escreveste por trás : "para quê viver, se amanhã morrerei?" Eu fiquei zangada, queria era uma dedicatória (para a Marta, gosto de ti, assim qualquer coisa). Mas tu escreveste aquilo, negro como o teu cabelo comprido.
Depois as nossas vidas seguiram rumos diferentes. Eu soube de ti algumas vezes, mota, namorada louca, hospital, psiquiatra. Já não estavas na minha vida, fazias parte apenas da minha memória. Um dia, foi a minha mãe que me ligou,
- Marta, lembras-te daquele rapaz, o D.?
E eu soube logo o que ela me ia dizer. Só precisava de saber como.
- Foi na ponte. Atirou-se.
Assim mesmo: atirou-se. A minha surpresa foi nenhuma. As memórias assomaram todas de repente, a roupa preta, tu no meu sofá, eu a fazer festas ao teu cão, as imperiais, os cafés, os cigarros que fumavas, o fumo teu que eu fumava, os meus 16 anos vestida de branco (sempre de branco e rosa), o pentagrama que queimaste na perna (disseste-me, nunca o vi), os Anathema, aquela música, "i want you to be free of all the pain", e tu agora finalmente livre da dor. Chorei.
Não pude ir ao funeral que te fizeram, depois de finalmente te encontrarem (pensei nos teus pais, na tua irmã, no teu cão). Ainda bem. Tu naquela altura existias ainda vivo na minha memória. Como hoje, na minha memória. Lembro-me de ti vivo sempre, sempre!, que oiço aquela música. E noutras alturas aleatórias, como hoje de manhã.
sexta-feira, 19 de junho de 2009
É música. É amor perfeito.

Uma mulher nua, estão a ver? Alguns devem mesmo estar a ver, literalmente, (seja real ou toda de plástico, encontrada nesses meandros da internet), outros não têm bem a certeza do que isso é e outros não se lembram. Os homens, claro. As mulheres vêem todos os dias e às vezes não queriam nada.
Mas voltando ao que importa - uma mulher nua. Curvilínea, cintura fina e anca larga, mulher à séria, como as de antigamente. Abandonada, encosta a cabeça no ombro do homem que a segura, a respiração dela no pescoço dele, numa postura de confiança total. O encaixe é delicado mas firme, os dois corpos só podiam pertencer ali, um ao outro. O homem olha-a apenas muito raramente, porque não precisa de mais. Conhece-lhe o jeitinho mimado, sabe que mão posta um milímetro para lá do sítio exacto fá-la reagir agressivamente, desafinada de tão ferida. Mas ele não teme. As pontas dos dedos percorrem um caminho perfeito, sabido de cor, que, no entanto, parece repleto de surpresas, de mudanças súbitas, de novas escolhas.
Ela reage a cada toque, mesmo ao mais subtil. Geme de voz fina e suplicante, respira forte de voz quente e baixa. Ele varia com ela - ora sorri levemente com cara de Primavera, ora franze as sobrancelhas numa expressão dorida; ora a trata com movimentos bruscos de quem quer mostrar controlo, ora a embala numa sintonizada dança a dois que parecem um.
É um homem e o seu violoncelo. E a música que dali sai, tão íntima, quase dá vergonha de ouvir por nos sentirmos intrusos num amor perfeito.
Recebi mais uma carta da Holanda. Desta vez vinham três cds com tesouros lá dentro e um postal. Neste, a bela cidade de Utrecht e a letra verdadeira do lindíssimo Violoncelista Holandês. Em cima "Olá, Marta!" (assim mesmo, em português); no fim "Beijos" (assim mesmo, em português). Discretamente antes da assinatura,
"love life".
quinta-feira, 18 de junho de 2009
Coisa engraçada
Este blog qualquer dia muda de nome para "O Videoclip dentro do Armário". Embora isto não seja bem um videoclip. Mas enfim, fica uma música catita e imagens de um jovem que é uma riqueza do nosso Portugal para encher o olho às meninas. Mnham Mnham.
PS: Também aparecem umas imagens de gente estranha. Ignorem. Não sei quem fez isto.
domingo, 14 de junho de 2009
No outro dia, o destino chegou-se ao meu ouvido e disse:
Chega o Chico e diz assim: "não se afobe não..."
domingo, 7 de junho de 2009
Prima, esta vai para ti
(Provérbio Malinke)
Sem música não há alegria. Sem alegria, não há música.
sábado, 6 de junho de 2009
A tua dor é a minha
Perdoa-me a futilidade. Se eu soubesse, se eu tivesse percebido que a angústia era tua e não minha, tinha escrito antes assim: beijo com gosto de amor para a minha irmã de alma.
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Aquela música
terça-feira, 2 de junho de 2009
segunda-feira, 1 de junho de 2009
terça-feira, 26 de maio de 2009
"What an excellent day for an exorcism!"
Lembram-se de um dos últimos posts da Clara, o “Cumplicidade”? Pois bem, vamos continuar a recordar o maravilhoso tempo em que as Elas e os Elos se tornaram amigos inseparáveis e prometeram ficar juntos para sempre, na alegria e na tristeza. Desta vez (e porque prometi ao Penim), vou contar-vos uma linda estória que junta um jantar com muito vinho na Feira Popular, uma Casa Assombrada e a miúda do Exorcista.
Foi um dos primeiros jantares de turma no primeiro ano da faculdade e não sei como é que os nossos fígados tão tenrinhos conseguiram absorver tantos litros de álcool. Todos nos fartamos de rir quando vemos a fotografia do Zebas em cima da cadeira com uma febra espetada no garfo e a outra em que ele e o Marcos Melo sorriem com cara de parvos e os dentes “podres”.
Saímos do restaurante, de certeza a dizer parvoíces e a rir muito alto, e à nossa frente apareceu, envolta em luz, a “Casa Assombrada”. Agora imaginem que são um grupo de miúdos de 18 anos, bêbedos, e têm a Casa Assombrada ali à mão de semear. O que é que fariam? Pois claro, iam a correr comprar os bilhetes. Ainda não tínhamos dado dois passos e já ninguém parava de gritar. Não me lembro bem do que havia lá dentro, mas sei que, depois de passarmos um corredor escuro, entrámos num quarto onde havia uma cama toda almofadada com a miúda do Exorcista deitada. Eu podia jurar que a cama levitava como no filme, ela tinha a cara verde e completamente destruída, os olhos florescentes, possuídos pelo demo, uma camisa de noite branca e era muito muito má. Mal entrámos já só queríamos sair e se possível passando bem longe da criatura. Atravessámos o quarto a correr, a miúda a gritar connosco, nós a gritar para os da frente correrem mais rápido, os outros “monstros” a gritarem lá fora… No meio do pânico a Vera caiu aos pés da cama. A miúda do Exorcista levantou-se, caminhou até ela, a Vera olhava para a miúda e não parava de gritar, a miúda chegou ao pé dela e… não, não lhe vomitou uma massa verde para cima, não fez o truque do pescoço e nem sequer a empurrou com violência contra a parede. Perguntou-lhe se estava tudo bem, se precisava de ajuda. Óbvio! Mas a Vera assim que viu a cara dela tão perto gritou ainda mais alto, pôs-se de pé e desatou a correr.
Chegámos ao fim do percurso todos arranhados e com as mãos esfoladas, com o peito ofegante e… completamente sóbrios.
Porque é que eu ainda me lembro desta estória hoje, quando nem sequer consigo reconhecer a pessoas que veio ter comigo na Feira do Livro e me cumprimentou calorosamente? E que, vim a descobrir depois, trabalhou comigo há menos de um ano? Não sei, acho que tenho uma memória cheia de personalidade.
A propósito, na sexta-feira passada vi o Exorcista. Pela primeira vez.
Assim se faz bom jornalismo em Portugal
Rita: martinha, tu nao me arranjas por aí o contacto do jorge silva melo?
Marta: talvez. É pra quê? Pra saber do filho deficiente que ele tem escondido no sotão?
Rita: para confirmar umas suspeita de assédio sexual nos anos 90, que o levaram a passar uns dias numa prisão no sudeste da argentina e onde ficou com a horrivel cicatriz escondida no coxis, mesmo mesmo por cima do reguinho do cu
Marta: ah, se é por causa disso, pode ser
Rita: acho que o jornal de letras nao tem qualquer impedimento moral de me dar o numero para confirmar esta tese
Marta: claro que não, temos de ser uns pros outros
Rita: ok, entao ve la isso, que eu dps digo-lhe k venho da tua parte
Marta: queres o número da mãe dele tb? está internada no miguel bombarda com alzheimer, era porteira, mas está convencida que era agente da cia, não deixa nenhum enfermeiro de leste chegar-se ao pé dela
Rita e Marta (aka Gema e Clara) expressam o seu profundo agradecimento ao chat do gmail, que lhes permite fazer a boa pesquisa de que necessitam para o exercício das suas actividades.
segunda-feira, 25 de maio de 2009
sexta-feira, 22 de maio de 2009
E se a literatura salvar jornais?
1. Ontem, um prédio na Avenida da Liberdade incendiou-se às 15 e 45, devido a uma fuga de gás.
2. Dar cinco passos, parar, tocar e deixar as cartas. Parecia um dia igual a tantos outros. José Santos, carteiro há mais de 20 anos na Avenida da Liberdade, deu os cinco passos de uma porta à outra, parou, mas não tocou. Cheiro de fumo.
Se escolheu a segunda hipótese, sente-se e beba um copo. Apresento-lhe o Jornalismo Literário.
Par ou Ímpar do JL nº1008, ler mais aqui.
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Cumplicidade
Aquele primeiro ano de faculdade, tão magras, mas tão mais feias. As peles brancas do Inverno, ainda pintalgadas com réstias de acne adolescente. As roupas lembrando tenebrosamente os anos 90. Aquele Avante em que a Gema decidiu esticar o cabelo. Aquele Carnaval em que eu descobri o blush.
Passámos pelos clássicos, como 'A foto', em que eu, a Vera, um pedacinho da Mafas e outro da Lilas estamos perdidas por entre luz estoirada e gelado de nata (ou seria baunilha?). Ou ainda o vídeo em Leiria, em que fizemos uma "reportagem" sobre 'o morto', um homem deitado no meio da rua em pleno dia de sol (nem uma pestana do 'morto' tremelicou com a nossa gritaria).
Lembram-se das férias no Pedrogão? Lembram-se dos inúmeros jantares na mesa da Gema, onde cabia sempre mais um? E as garrafas. As incontáveis garrafas que se viam em cima das mesas ou nas nossas mãos. Não nos lembrávamos de como bebíamos quando bebíamos! E ainda conseguíamos estudar, fazer trabalhos de que ainda hoje nos orgulhamos, escrever para o 8ª Colina, filmar para o E2, dançar no gabinete do Pedro Azevedo em dias de electricidade estática (ou chorar, com a porta fechada, quando foi preciso), cantar em toda a parte, conversar e rir, rir, rir.
Tantas fotografias tiradas na faculdade, a fazer as coisas mais estranhas. Algumas não poderão nunca ser reveladas, nem sequer aqui descritas. "Como é que as pessoas haviam de gostar de nós?" - foi o comentário que mais vezes fizemos esta noite. A verdade é que conseguíamos ser incómodas, de tão gozonas. Mas nós adorávamo-nos e isso era tudo o que importava. Isso e o carinho de quem nos era querido.
Essas imagens juntaram-se, como frames, e surgiram feitas filme nas nossas cabeças, na viagem entre margens. Só quando estávamos quase a chegar ao primeiro destino, ali na curva das Amoreiras em direcção ao Rato, o silêncio foi quebrado. Com o olhar ainda fixo num ponto qualquer da rua, a Gema, como se suspirasse:
- Estou nostálgica.
- Eu também, respondi. Vivemos anos tão felizes. Quando é que as coisas ficaram tão difíceis?
- Nós antes também achávamos as coisas complicadas.
- Talvez, mas era diferente. Não ter namorado, por exemplo. Não nos preocupava muito. Não tínhamos pessoas à volta a casar, a ter filhos, não pensávamos na idade a avançar...
- Sim, isso é verdade. Mas acho que faríamos as mesmas coisas.
Respondi que não, que a maturidade não nos permitiria fazer certas coisas. Agora que penso melhor nisso, sei que, no essencial, faríamos precisamente o mesmo hoje, se estivéssemos todos juntos em volta de uma mesa. Viu-se no jantar na avenida do Cristo Rei (na casa que a Vera agora já tem com o Rui). Nem sequer acabámos a garrafa de vinho, mas as gargalhadas, o gozo, o brilho no olhar - iguais. Com uma grande diferença. Depois de quase 7 anos (sim, já 7!), maior, muito maior, é a cumplicidade.
Já não saberia viver sem isso.
Para as Elas e os Elos, meus cúmplices.
segunda-feira, 18 de maio de 2009
quinta-feira, 14 de maio de 2009
Portugal Meu Amor
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Ele nem nos conhece, mas a descrição fica-nos tão bem
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Mas como?
A vida obscura que o ovo teve no passado - há que ver com os olhinhos bem abertos!
E a música também faz abanar a cabeça. Sai para a rua, grita alto...
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Amiga-irmã

Não se incomoda que, depois de dias de separação, seja recebida por uma cara zangada e gritos magoados.
Não só ouve a nossa voz exaltada, como se exalta ao nosso lado.
Não diz "tu é que foste estúpida" porque não confunde sinceridade com crueldade.
Finge que não percebe as repetidas tentativas de conter as lágrimas.
Fica aqui por escrito o beijo e o abraço que devia ter-te dado assim que te vi.
terça-feira, 5 de maio de 2009
The 60's in the 00's
The Family Jams - Trailer from kevin barker on Vimeo.
Este é o trailer do documentário The Family Jams, de Kevin Barker. O realizador acompanhou a tour dos músicos de San Francisco Devendra Banhart, Joanna Newsom e Vetiver (Barker também dá uma perninha nesta banda de vez em quando), onde há convidados como Antony Hegarty.
O vídeo veio daqui e a informação está lá toda.
A pergunta é: porque é que eu não tenho uma vida destas?
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Marta, és uma mulher
Não foi há muito tempo que me apercebi de que tinha crescido. Maturidade. Que não se mede por já termos o período, por perdermos a virgindade, por tomarmos a pílula, por nos deitarmos com meia dúzia de pessoas, por já não vivermos com os nossos pais, por estarmos noivas, grávidas ou usarmos creme anti-rugas. Para isso é preciso apenas dinheiro, sorte ou um grande azar.Quando percebi que já não era realmente uma criança foi há pouco tempo. Tinha acabado de almoçar e quis comer uma fruta. Pedi à minha irmã, que estava mais perto da fruteira, que me mostrasse as minhas escolhas. Decidi-me por uma pêra. Ela perguntou: "qual queres?", ao que eu respondi:
- É melhor ser essa mais madura, para não se estragar.
PIMBA!, atingiu-me como uma frigideira espetada pelo Jerry no focinho do Tom. Antes, tirava sempre a fruta mais apetecível, os meus pais que comessem a velha, já tocada aqui e ali. Eu cá queria as minhas pêras fresquinhas e o resto que se lixasse. Mas agora não. Agora como a fruta mais madura, para não se estragar, porque tem de ser. Estão ali uns morangos fabulosos, mas, caramba, não vou deixar a maçã apodrecer. Foi nesse exacto momento que disse para mim própria: Marta, estás uma mulher.
domingo, 3 de maio de 2009
Triste, triste

não é ficar trancada em casa num sábado de sol e Feira do Livro.
não é estar em casa por ter trabalho para fazer.
não é estar trancada em casa, a trabalhar, num sábado à noite.
Triste, triste, é a ÚNICA pessoa online neste momento ser o meu primo John, que mora em New York, onde ainda nem é hora de jantar.
Onde estão todos?! Olá...! Anyone...?
quinta-feira, 30 de abril de 2009
domingo, 26 de abril de 2009
O Homem-Nuvem

Ela: Olá.
Ele: Olá.
Ela: Tens cara de nuvem.
Ele: Nuvem?
Ela: Sim. Pareces muito fofo e confortável. Mas não dá para te agarrar e prender na mão fechada. Ou no coração. Ou aqui ao lado, neste sofá.
Ele: Para que queres tu prender-me?
Ela: Para poder olhar para ti sempre que quiser.
Ele: Mas podes olhar para mim sem me prender.
Ela: Não, não.
Ele: Porquê? Estou aqui, mesmo ao teu lado.
Ela: Mas daqui a pouco já não estás. Tu nunca ficas. Passas, como uma nuvem.
Ele: Nuvem?
Ela: Sim. Não faças essa cara de nuvem que chora. Tens mesmo de passar, faz parte do que és. Se ficasses, o céu, o mundo, tudo perdia o seu rumo. Era o caos. E tu não queres o caos.
Ele: Não, prefiro que tudo fique como está.
Ela: Pois é. E eu não quero alterar a ordem das coisas. A sério que não quero.
Ele: Às vezes, acho que preferia que quisesses. Mas não hoje. Posso ir embora sem me despedir?
Ela: É assim que fazes sempre. Desvio o olhar e, quando quero encontrar-te de novo, já lá não estás. É assim...como uma nuvem. Não é?
[silêncio e um lugar vazio]
Ela: É.
Avôzinho, diz-me tu
Tia Paula: Ó pai, não tem frio?
Avô: Não... [passa o braço por cima dos meus ombros] Estou sentado ao lado de uma brasa!
Ao meu ego, chega-lhe para uns 15 dias.
sábado, 25 de abril de 2009
25 de Abril é hoje

Isto não seria possível.
Isto: um blog. Isto: uma caixa de comentários públicos. Isto: esta música ouvida na praça pública. Isto: uma mulher falar do seu corpo. Isto: o meu post chamado Transparente. Isto: escrever num jornal sem ninguém me guiar a mão. Isto: falar alto na rua. Isto: escrever o que escreverei a seguir.
O país está mal, muito está mal. Mas ao menos podemos dizê-lo e estar aqui amanhã para o dizer de novo. As vezes que forem precisas até as coisas mudarem. Tirem-nos tudo: emprego, estabilidade, ordenado justo, reconhecimento de mérito, mas nunca mais nos vão tirar a liberdade de falar, de escrever, de cantar, de gritar. Nunca mais.
Hoje, digam o que pensam, escrevam o que pensam, cantem o que pensam. É a melhor forma de homenagear quem lutou para que as coisas mudassem.
Que a lembrança de cravos nos dê força para mudarmos o rumo das coisas. Hoje.
Peguemos nas armas que temos: as palavras. Hoje.
E, se for preciso, vamos mesmo para a rua gritar. Hoje.
sexta-feira, 24 de abril de 2009
Olho por olho...

Pedi ao Jacinto Lucas Pires que escrevesse o meu elogio fúnebre e ele pôs o Ovo na sua lista de links.
Na blogosfera é assim, somos uns para os outros.
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Eu
Obrigada.
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Eu?
Há dias em que não faço ideia quem sou. E são mais que os outros.
terça-feira, 21 de abril de 2009
sexta-feira, 17 de abril de 2009
Carta aberta a Youssef
Caro Youssef:
Descobri-te há pouco tempo (ontem só), a ti e às tuas fotografias pintadas. Suspeito que tu é que me descobriste já há muito. A mim e a todos os outros, aqueles que moram ao nosso lado. Mas não se deve falar pelas bocas alheias, por isso direi apenas 'eu'.
Parece-me que tenho andado por aí (não lhe chamarei mundo, que não é verdade. vida, talvez.) a fazer o mesmo que tu. Não penses que te copio o estilo. Não sei arrancar arte de máquinas fotográficas e muito menos pintar. Mas também tiro fotografias a preto e branco das pessoas que vou conhecendo. Tiro-as para dentro de mim, entendes? Só na minha cabeça. Aí estão as pessoas, todas elas só preto, branco e um ou outro cinzento. Então pinto-as. Já agora, para que saibas melhor quem sou, gosto de todas as cores menos laranja. Estava a pintar pessoas. Pois, na minha cabeça, lá lhes vou dando pinceladas coloridas, umas saem mais escuras, outonais (como tu, naquele auto-retrato), outras muito vivas, garridas, de vermelhos e verdes. Outras ainda podem ser cor-de-rosa pastilha elástica ou amarelo marshmellow. Os bebés, por exemplo.
"Pintas na tua cabeça? Arte contemporânea conceptual, é?", pensas tu. Não, nada disso. Entende: pinto as pessoas com os meus pincéis e as minhas tintas, dou-lhes as cores que quero. Percebes agora? Isto tem um senão: é que a pintura (e mesmo a fotografia) nunca soube captar a verdade. Tal como os nossos olhos. Por isso, às vezes penso que esta ou aquela pessoa é cor-de-rosa e depois venho a descobrir que afinal é cinzenta ou castanha-escura. Ou o contrário. Faço heróis de vilões e bruxas de princesas. Estás a ver, não é? Tenho grandes desilusões e grandes boas surpresas.
Não devia fazer assim. Sei que não devia imaginar que as pessoas são aquilo que não são. Mas também não acredito que consiga parar de as pintar como a minha imaginação manda. Como se trava a arte?
Um beijo,
.
terça-feira, 14 de abril de 2009
segunda-feira, 13 de abril de 2009
Quando Candy era eu
Lembro-me do tempo em que não gostava do meu corpo. Olhar-me no espelho provocava-me um franzir de sobrancelhas e o desvio do olhar. Excepto quando não me provocava absolutamente nada. Não queria ver-me. Preferia esquecer cada curva, cada osso saliente, cada sinal, cada sarda, cada caracol. Sempre que pensava em mim, lembrava-me apenas dos defeitos. Primeiro magra, tão magra; como eu detestava que me chamassem palito ou trinca-espinhas, como me enervava enquanto tentava explicar que isso era tão ofensivo como chamar alguém de gorda. Uns kilos mais tarde, as ancas largas, o peito pequeno, o cabelo indomável, os dentes espaçados, a pele imperfeita.
Pensar em mostrar o meu corpo nu aterrorizava-me.
Com o passar do tempo, percebi: eu não detestava o meu corpo. Simplesmente não o conhecia. Como quando se faz juízos de valor precipitados.
Hoje, conheço-o bem. Sei-me de cor. Consigo indicar com exactidão onde está cada defeito - combato os combatíveis; os outros, deixo-os estar, encontrei lugar para eles. Agora sei também onde estão as qualidades. Olho-me tranquilamente, pisco-me o olho de cumplicidade. E, não contem a ninguém, mas já mais do que uma vez apanhei o reflexo a sorrir-me do lado de lá do espelho.
domingo, 12 de abril de 2009
sexta-feira, 10 de abril de 2009
Novos Fados LX
Dando umas pinceladas escritas (muito subjectivas) do que se passou ontem no Festival Novos Fados LX:
Oioai foram um pouco bocejantes. A mim só me acordaram com Pertencer, a linda canção que gravaram com os Xutos para o UPA.
João e a Sombra deram um concerto marítimo, de luz fraca e música de embalar. Como um suave barco em noite de luar. Lindas letras saem das mãos do sr Tempera.
Feromona agradaram aos fãs (que, curiosamente, tinham todos caracois. deve ser uma coisa deles). Letras engraçadas (ao contrário das piadinhas cuspidas para o micro), mas vozes pouco agradáveis ao ouvido.
Samuel Úria esteve em grande no show tipo "eu e a minha guitarra, amantes solitários", com as suas bonitas músicas, piadas bem metidas (uma ou outra boca um bocadinho ao lado, mas pronto) e look à Lenine. O brasileiro, não o outro.
Deixando o melhor para o fim, doismileoito deram, de facto, o concerto da noite. Uma maturidade musical (não igual a experiência) que os distingue das outras bandas. Além do tão orelhudo single, descobri outras canções, frescas, com aquele bom cheiro a novo e diferente, pelo menos no que toca ao nosso panoraminha nacional.
A fechar, um excelente djset (pelo menos até onde ouvi) do Pedro Moreira Dias, da Radar, já com muito pouca gente na sala. E foi pena, que cumprir com aquela qualidade a exigência de passar música portuguesa (e, de preferência, em português) nova e dançável não era tarefa nada fácil. Missão (bem) cumprida.
Quem for hoje e amanhã, que apareça para contar como foi. A música portuguesa fervilha! Viva a crise!
PS.: Hão-de passar por aqui souvenirs de Madrid, seja em vídeo, fotografia ou palavras. Ainda não está decidido. Não percas o próximo episódio, porque nós também não!
quinta-feira, 2 de abril de 2009
Hasta luego!

O vosso Huevo vai de malas aviadas para Madrid, de mãos dadas com a Ela Adormecida e a Catá, e volta segunda feira.
Benditos, these dancing days!
Até já!
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Grande novidade!
Pronto, mentirinha de 1 de Abril. Ah Ah Ah! Acreditaram, não foi? E agora estão a pensar "ai que gira que ela é, tão engraçada, pá, mesmo gira". Queridos fools de Abril.
Sinceramente, nunca percebi muito bem a piada do Dia das Mentiras. Afinal, mentir (uns aos outros e/ou a nós próprios) não é o que fazemos o ano inteiro? Hoje é apenas um dia em que o podemos fazer, sermos descobertos e ninguém nos levar a mal. Querem animar a malta a 1 de Abril? Agitar as massas? Façamos um Dia da Verdade. Um dia em que toda a gente diga verdades e apenas e só verdades. Imaginam a catástrofe? As famílias desmanchadas? Os namoros arruinados? Os amigos zangados? Ou talvez, depois do primeiro choque, andássemos todos mais leves e, finalmente, mais felizes. Pequenas nuvens brancas em vez dos blocos de cimento escuro que somos.
Nisto acredito piamente: bastaria um dia, 24 horas de verdade absoluta para o mundo se transfigurar, sair do seu eixo, mudar de velocidade, ficar virado de pernas para o ar e nós todos nus, sem termos onde esconder as mãos, os olhos e os pensamentos. Transparentes, de tão nus.
terça-feira, 31 de março de 2009
Não te rias sempre. Às vezes estão a falar a sério contigo.
segunda-feira, 30 de março de 2009
sábado, 28 de março de 2009
Manifesto feminino
1. Acabar com o recolher obrigatório do Bairro Alto às 2 da manhã.
2. Anti-derrapante espalhado pelas ruas da baixa lisboeta, para podermos caminhar com segurança e sem termos de agarrar o braço mais próximo de 5 em 5 minutos.
3. Enchimento de cimento por entre as pedras da calçada para, de uma vez por todas, usarmos saltos altos na night, sem ficarmos constantemente presas ao chão.
Obrigada.
sexta-feira, 27 de março de 2009
Is that alright?
E porque temos vontade de os cometer de novo, mas o bom senso obriga-nos a reprimir esse impulso até doer.
Porque pensamos tanto "porquê? porquê agora? porquê contigo?"
Porque suspeitamos que se as circunstâncias fossem outras e o crime não fosse crime, não teria sido cometido.
Porque desejamos ardentemente que nunca tivesse acontecido e logo a seguir com o mesmo ardor que tivesse acontecido mais vezes, todos os dias.
Porque, de vez em quando, a vida parece gozar com a nossa cara sem pudor.
Porque já chega de má música.
E porque um dia vou casar com o Damien Rice.
quarta-feira, 25 de março de 2009
Mariana: Recortes de uma Vida
Mariana tornou-se medricas. Mariana tinha medo da mulher das profundezas, do escuro, de cobras e disto:
Percebe-se porquê.
segunda-feira, 23 de março de 2009
Música para dois
1. À minha querida Gema, adorada amiga e outra metade deste Ovo. Tantas vezes recebemos e enviámos mensagens a dizer "adivinha o que está a dar na rádio!". E só contigo sai afinado "no, no, no, no" (seguido invariavelmente de gargalhadas). E as estátuas de gelo. E a voz que se mistura na guitarra. E ninguém compreende porque raio sabemos a letra desta canção. Nem nós. Coisas dos 90s. A nossa música!
2. A um certo e determinado blogger, que anda a ameaçar fechar a casa. E a casa é um daqueles blogs que sempre me deu tanto gozo ler; daqueles que abro todos os dias e leio os melhores posts duas vezes. Baby, think twice.
Prendam a respiração. Aqui vai ela, enrolada em lençóis. Dá-lhe, Céline!!
É nas tardes de segunda feira
domingo, 22 de março de 2009
É nas tardes de domingo
sábado, 21 de março de 2009
Dia Mundial da Poesia
Lisboa
Alguém diz com lentidão:
«Lisboa, sabes...»
Eu sei. É uma rapariga,
descalça e leve,
um vento súbito e claro
nos cabelos,
algumas rugas finas
a espreitar-lhe os olhos,
a solidão aberta
nos lábios e nos dedos,
descendo degraus
e degraus
e degraus até ao rio.
Eu sei. E tu, sabias?
Eugénio de Andrade
sexta-feira, 20 de março de 2009
The sound of Motown
Ponham a vossa pose mais estilosa, afinem as vozes, acertem o ritmo e cantem com alma!A Motown, mítica editora de soul-pop afro-americano, celebra 50 anos de existência! Começou num pequeno estúdio em Detroit, mas rapidamente cresceu para se tornar um construtor de talentos, disparando artistas afro-americanos para os primeiros lugares dos tops e para vitórias nos Grammys. E, nos anos 60, isso significava bem mais do que uma revolução musical...
A editora criou um estilo tão próprio que Motown passou a ser nome de tipo de música. Motown stars? É difícil enumerá-las a todas. Como exemplos: Jackson 5, The Commodors, Marvin Gaye, Lionel Richie, Stevie Wonder e, claro, Diana Ross and The Supremes!
A história mais bem contada aqui.
Sing it, sisters!!
quinta-feira, 19 de março de 2009
Garrett e eu
Altiva, sim, lá enfiei a carapuça uma dúzia de vezes, mas ao menos há versos que poderiam ser sobre mim, não fora o Garrett e eu nunca nos termos cruzado (pelo menos que tivesse dado conta).
"Que rosto! Em linhas severas
Se lhe desenha o perfil;
E a cabeça tão gentil,
Como se fora deveras
A rainha dessa gente,
Como a levanta insolente!"
Altiva e arrogante e mais não sei quê, mas com feitio digno de poesia. Ora tomem.
quarta-feira, 18 de março de 2009
"Quanta estrela você vai contar
O sol continua a brilhar lá fora e eu não tenho nada para escrever. Só isto: degustem música doce, boa, daquela que se desfaz em sumo na boca. É a época dela, não engorda e faz tão bem à saúde.
Assim:
segunda-feira, 16 de março de 2009
domingo, 15 de março de 2009
Hoje em 30 palavras
Conversa. Saber coisas de ti. Amigo. O longe quase perto.
Música. Dança. Risos. Suor. And all that jazz.
E eu feliz.
sexta-feira, 13 de março de 2009
Vanilla Ice, estás perdoado, mas não voltes. Please.
http://www.rightmusicwrongs.org
O que acontece neste site? Acontece, por exemplo, o Vanilla Ice pedir desculpa pelo Ice Ice Baby (o que só lhe fica bem). Acontece ainda um top 10 dos wrongs da música. No primeiro lugar, está uma música de que eu nunca tinha ouvido sequer falar, mas parece-me merecedora da distinção. Chama-se Fast Food Song e é de uma banda chamada Fast Food Rockers (já se sabe que banda com nome igual ao single está destinada a ser um one-hit wonder). Nesta pérola da pop, que tem um vídeo que parece um filme de terror (eu, pelo menos, tive medo), canta-se o seguinte refrão:
"A pizza hut a pizza hut
Kentucky fried chicken and a pizza hut
McDonalds McDonalds
Kentucky fried chicken and a pizza hut"
E por aqui me fico.
quinta-feira, 12 de março de 2009
So 90's
Hoje de manhã, quando tive de me deitar na cama para conseguir vestir as calças de ganga justíssimas, acabadas de passar a ferro, senti-me teletransportada no tempo para os gloriosos anos 90. Quando este era um ritual diário para conseguir enfiar as "City Jeans", que eu tinha de todas as cores e quando o Peter Andre me fazia babar em frente à televisão. Nenhum rapaz que eu conhecia tinha aquele cabelo e aqueles músculos... E hoje em dia eu digo "THANK GOD!"
A partir de hoje nunca mais me esqueço de agradecer todos os dias o progresso e o belo passar dos anos!
Poetry, music and some laughs
Como não encontrei a música que queria pôr aqui completa, deixo um pouco de cada, só para dar um cheirinho, como se diz por aí.
E a música que eu queria, Family Tree, tem uns versos deliciosos (que, curiosamente, são mesmo os que viriam a seguir se esses 30 segundos da playlist continuassem):
And they threw me out of school
'Cause I swore at all the teachers
Because they never teach us
A thing I want to know
We do Chemistry, Biology and Maths
I want Poetry and Music and some laughs
segunda-feira, 9 de março de 2009
A pequenez dos pequeninos
- Porque está ali o Doutor Balsemão.
Ficam, portanto, a saber que, quando o Doutor Balsemão está a sair do seu carro, ninguém pode cumprir as regras de trânsito e dar convenientemente a volta a rotunda. Se fosse nos Estados Unidos, aquele senhor segurança teria ido ter com o Doutor Balsemão e diria: "peço imensa desculpa, sir, mas não pode ter aí o carro parado". Essa é a diferença.
O mais enervante é que o Doutor Balsemão (Doc para os amigos) não deve ralar-se minimamente que o meu pai pare o carro atrás do dele, para deixar sair a filhota que lhe faz jornais por 300 euros mal amanhados. O senhor segurança, lambedor de botas nas horas vagas, ali ficou, de peito muito inchado, ignorando que o Doc nem sequer reparou que tinha as botas mais brilhantes, orgulhoso do seu trabalho bem feito. Chamam-lhe o poder pequenino. Um dos grandes bocados de bolor do nosso país.
sábado, 7 de março de 2009
Sabedoria embutida
E atrás dessa mulher, mil homens sempre tão gentis"
sexta-feira, 6 de março de 2009
Aqui
De repente, de um golpe, tudo aquilo que estava escondido lá no fundo, debaixo dos pés (e que eu acreditava que acreditava que não existia), está aqui,
à flor da pele.
O ovo revelado

quinta-feira, 5 de março de 2009
Um buraco escuro
Para voar, diz o Peter Pan, é preciso apenas pensar com muita força numa coisa de que gostemos muito e que nos deixe felizes. E, claro, uma pitada de pós de perlimpimpim da mimada, irascível e adorável fada Tinkerbell (Sininho, aqui para nós). Fecho os olhos e penso em festas de anos com bolo, velas, croquetes e a família toda. Penso em dias de praia até às 9 da noite. Penso em viagens com as amigas. Penso com força e agito a varinha. Os pés não saem do chão.
Alice, morta de tédio e curiosidade, entrou num buraco escuro, atrás de um coelho atrasado de colete e relógio de bolso. Alice cresceu, encolheu, bebeu chá com uma lebre maluca e um chapeleiro louco, falou com gatos e lagartas, navegou dentro de uma garrafa, jogou críquete com flamingos, conheceu uma Rainha de temperamento tempestuoso, a quem, obviamente, ofendeu. Alice acaba no banco de réu de um louco tribunal.
Se fosse hoje, a Alice teria de pagar um balúrdio para se sentar 5 minutos numa casa de chá a beber água quente com folhas. Os líquidos e biscoitos de crescer e encolher seriam vendidos a preço exorbitante na farmácia (e só com receita médica) e mais baratinhos no mercado negro, de onde não sairia saudável uma menina loira de sedosa pele branca. Navegar, só num cruzeiro, sempre um luxo, até aqueles no Tejo. Para conhecer a Rainha, teria de chegar à fala com o assessor do assessor do assessor, explicar muito bem o que queria e talvez daí a 3 meses. A não ser que pusesse umas notas na mão do senhor da recepção, claro. Ofensa feita à Rainha, primeiro que chegasse ao julgamento, a Alice teria de aguentar uns bons e longos anos de prisão preventiva, tornada aborrecida a partir do momento em que a televisão se esquecesse dela. A não ser que pagasse bem aos senhores juízes.
Os pés continuam colados ao chão. Olho nos olhos do Peter de papel e digo-lhe: É preciso dinheiro para comprar bolo, velas e croquetes. A família precisa de dinheiro para a gasolina, o bilhete do autocarro ou a mensalidade do ginásio. Preciso de dinheiro para um carro, mota, gasolina, portagem ou bilhete de autocarro para ir para a praia. Preciso de dinheiro para tudo e mais alguma coisa para viajar com as amigas.
Pouso a varinha mágica. Fecho o livro do Carrol e o do Barrie. Tiro as meias e troco a mini saia rodada por uma mais justa. Descalço as botinhas de Peter Pan e trepo para os saltos altos. Saio de casa e vou à procura de um homem rico com quem casar.
Até já.
Um pedido para todó mundo
Quem quiser o regresso da Gema ponha o dedo no ar!
quarta-feira, 4 de março de 2009
Não aconselhável a pessoas facilmente impressionáveis
Aconselharam-me a não ver o Wrestler sozinha. É muito forte, disseram-me. Levei o aviso a sério e fui bem acompanhada.Mas nem a companhia impediu o trauma. É de facto muito forte. Nada aconselhável a corações sensíveis. Devia ser para maiores de 18 e menores de 50.
Vi o rabo do Mickey Rourke duas vezes. Não foi bonito.
terça-feira, 3 de março de 2009
Quem não for ver as Tucanas, é parvo
E ao vivo é ainda melhor.
Sem desmérito para nenhuma Tucanita, aquela voz mais bonita é de uma menina da casa, da família e do coração. Pode ainda ser encontrada aqui.
A ver, for free, dia 11, no Centro Cultural da Malaposta, às 21.30.
segunda-feira, 2 de março de 2009
I miss that stupid ache
Not About Love - Fiona Apple
Não estou apaixonada.
Pior do que estar apaixonada e sofrer é não estar apaixonada. Não ter borboletas na barriga, não olhar para o telemóvel a cada 2 minutos (na verdade, eu faço isto, mas é à espera de que aquele trabalho que tanto quero seja meu), não sorrir sozinha na rua, não chorar por desgostos inventados pela nossa cruel imaginação, sempre tão aguçada nestas alturas de sensibilidade em excesso. As dores do amor são as únicas que vale a pena sentir. Chamemos-lhes o sal da vida, tão necessário como o açúcar da vida (aka as alegrias do amor).
Contudo, e por muito triste que tudo isto seja, não consigo deixar de fazer piadas sobre o assunto. No fundo, a postura Fiona Apple: para uma canção triste, um filme engraçado. Até posso afundar-me em queixas, papéis de vítima e depressõezinhas de quinta categoria, mas a malícia rápida que me torna numa companhia até animada - essa ninguém me tira da ponta da língua.
Por isso, mantenho-me, senão bem humorada, pelo menos cínica o suficiente para fazer rir os outros. Isso chega para me fazer atravessar os dias contente, às vezes mesmo pertinho de feliz. Mas que sinto falta daquela estúpida dor, lá isso sinto.
domingo, 1 de março de 2009
Queres vir?
Agora, sempre que saio à noite, pinto os lábios de vermelho para, se te encontrar de copo na mão e riso nos lábios, te deixar marcado um beijo na bochecha. Aí, tornas-te oficialmente meu amigo.
E o convite ainda está aqui, às voltas no ar.





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